1. Generalidade

Cebola é o nome popular da planta cujo nome científico é Allium cepa, Lineu. Em sistema taxonómicos mais antigos, pertencia à família das Liliáceas e subfamília das Alioídeas – taxonomistas mais recentes incluem-na na família das Alliaceae. O termo refere-se, também ao seu bolbo (bulbo, no Brasil) constituído por folhas escamiformes, em camadas. As suas flores estão dispostas em umbela. As plantas jovens, com o bolbo pouco desenvolvido e sem flor são chamadas também de cebolo

História da cebola-A cebola, Allium cepa L., teve origem no centro da Ásia, e caminhando para o Ocidente, atingiu a Pérsia de onde se irradiou para a África e por todo continente europeu.

Daí, foi trazida para as Américas, pelos seus primeiros colonizadores.

No Brasil a introdução da cebola se deu principalmente através do Rio Grande do Sul, se espalhando por todo o país.

Quando as cebolas são cortadas, as suas células são quebradas.

As células das cebolas têm duas secções, uma com enzimas chamadas alinases e outra com sulfuretos (sulfóxidos de aminoácidos). As enzimas decompõem os sulfuretos produzindo ácido sulfénico. O ácido sulfénico é instável e decompõe-se num gás volátil chamado sin-propanetial-S-óxido. O gás dissipa-se pelo ar e eventualmente chega aos olhos, onde vai reagir com a água para formar uma solução muito fraca de ácido sulfúrico. O ácido sulfúrico irrita as terminações nervosas do olho, fazendo-os arder. Em resposta a esta irritação, as glândulas lacrimais entram em ação para diluir e lavar a irritação.

É provável que tenha por hábito esfregar os olhos, mas não podia fazer pior uma vez que terá sumo de cebola nas mãos.

Não obstante, são estes compostos voláteis que dão o sabor característico à cebola, e o aroma agradável quando cozinhada.

Para reduzir a libertação do gás recomendas-se descascar a cebola debaixo de água corrente, ou mesmo debaixo de água, embora esta medida seja pouco prática ou ecológica.

Molhar as mãos e a cebola antes de a cortar vai reduzir o efeito do gás, porquanto algum do gás vai reagir com a água das mãos ou da cebola.

O cheiro das mãos poderá ser eliminado com limão. Também ajuda respirar profundamente pela boca, uma vez que grande parte do gás será inalado e menos ficará disponível para reagir com os olhos. Uma faca bem afiada danifica menos células da cebola, libertando-se menos gás — logo menos irritação. Cebolas frias tiradas do frigorífico provocarão menos irritação uma vez que as baixas temperaturas inibem a difusão das enzimas e do gás.

Outras pessoas preferem arrefecer a faca por 2 minutos no frigorífico antes de cortar as cebolas para diminuir as lágrimas. Diferentes espécies de cebolas libertarão quantidades diferentes de ácidos, portanto a irritação que provocam também será diferente.

2. Componentes ativos das cebolas

Flavonóides

Os flavonóides apresentam efeitos potenciais como anti-oxidantes, anti-inflamatório, protetor cardíaco, analgésico, anti-alérgico, anti-cancêr, anti-diabético, anti-úlcera, entre outros. sob o aspecto do efeito anti-oxidante, que pode ser explicado pela doação de um átomo de hidrogênio para os radicais livres, formando novos tipos de radicais livres que não são tão reativos quanto a espécie inicial. Esses radicais desempenham papel importante como, por exemplo, no combate aos micro organismos invasores.

Quercetina-Quercetina é um flavonóide amplamente distribuído no reino vegetal. Trata-se de um composto polifenólico presente naturalmente em vegetais como maçã, cebola, chá e em plantas medicinais como Ginkgo biloba, Hypericum perforatum.

Atividade antioxidante

Entre as principais ações da quercetina destaca-se o seu poder de remover os radicais livres, exercendo um papel citoprotetor em situações de risco de dano celular. A quercetina demonstrou inibir in vitro a oxidação da lipoproteína de baixa densidade (LDL) por macrófagos e reduzir a citotoxidade da LDL oxidada. Junto com a vitamina C, a quercetina demonstrou efeitos sinérgicos na função antioxidativa. O ácido ascórbico age como um redutor da oxidação da quercetina, de maneira que combinados, a vitamina C permite uma sobrevivência maior do flavonóide para cumprir suas funções antioxidativas. Por outro lado, a quercetina protege a vitamina E da oxidação, com a qual também apresenta efeitos sinérgicos.

3.Ação medicinal

Atividade cardiovascular

A mesma propriedade antioxidante descrita anteriormente é suficiente para reduzir o risco de morte por doenças e danos cardíacos. Neste sentido, a quercetina demonstrou diminuir a incidência de infarto do miocárdio e derrames cerebrais em pessoas da terceira idade. As populações que consomem produtos ricos em quercetina estatisticamente apresentam menores riscos de afecções cardiovasculares. Em ratos pode-se observar que a quercetina melhora a função contrátil do ventrículo esquerdo e reduz a incidência de transtornos da condução cardíaca. O processo limita-se à área danificada de isquemia protegendo a ultra-estrutura das artérias , melhorando a circulação coronária e prevenindo a formação de trombos intravasculares. Por outro lado, também demonstrou efeitos vasodilatadores na aorta isolada de ratos, efeitos antitrombóticos (por uma ligação seletiva na parede plaquetária) e diminuiu as lesões de reperfusão do miocárdio. Devido à inibição da peroxidação lipídica, a quercetina protege o endotélio da destruição local por prostaciclina e o fator de relaxamento derivado do endotélio.

Atividade anti-inflamatória

A ação anti-inflamatória que muitos flavonoides possuem relaciona-se em parte com as enzimas implicadas no metabolismo do ácido araquidônico. No mecanismo antioxidante sobre a peroxidação lipídica da quercetina, está envolvida a via do ácido araquidônico o qual implica uma atividade anti inflamatória paralela.

Atividade antitumoral

Um dos mecanismos de ação da quercetina como agente antiproliferativo de células tumorais é através de sua capacidade antimutagênica e de seu poder antioxidante. A adição da quercetina em alguns esquemas antitumorais com drogas sintéticas tem demonstrado aumento da atividade antitumoral.

Atividade imunológica

Diferentes estudos têm constatado o fortalecimento do sistema imunológico, em especial no trato gastrointestinal, a partir da administração de quercetina. Por exemplo, pacientes com disenteria de Flexner evidenciaram melhoras clínico-humorais significativas após receber uma combinação de quercetina e acetato de tocoferol. Junto com o sódio tem sido demonstrado melhorar quadros de dispepsia além de evidenciar efeitos bacteriostáticos em micro organismos patológicos do trato digestivo. Um aspecto interessante do efeito anti úlcera da quercetina é que ela inibe in vitro o crescimento de Helycobacter pylori de uma forma dose-dependente. Por outro lado, a quercetina tem demonstrado poder estabilizador nos mastócitos impedindo a ação da histamina durante as reações alérgicas e inibindo a formação de leucotrienos. A quercetina demonstra exercer um efeito sinérgico com cromoglicato de sódio. Também tem evidenciado um efeito antifúngico em cultivos de Candida albicans, um fungo oportunista que pode surgir em quadro de imunodepressão.

Atividade antiviral

A quercetina demonstrou ser um potente agente antiviral, podendo interferir com a infectividade e replicação de adenovírus, coronavírus e rotavírus em cultivos celulares. Neste sentido, uma combinação de quercetina com rutina demonstrou reduzir a hemaglutinação, reduzindo a mortalidade de ratos infectados com o vírus Influenza. Uma cebola grande ingerida crua, durante crises herpéticas diminui a duração da crise do herpes.

Efeitos na formação de catarata em diabetes

Como é conhecida, a catarata é uma complicação relativamente comum em quadros de diabetes. Entre os mecanismos de ação descobriu-se que a enzima aldolase-reductase tem papel gerador de catarata. Diferentes experiências demonstraram atividade inibitória da quercetina sobre esta enzima, que seria do tipo não-competitiva e uma das mais potentes entre os diferentes agentes inibidores testados. Dose Usual: – 400-500 mg via oral, três vezes ao dia.

Cebola e o lúpus eritematoso sistêmico

Existem relatos clínicos significativos, onde vários pacientes descrevem uma surpreendente melhora de dores de cabeça, febre e dores articulares, ao ingerir uma cebola inteira crua, no almoço e jantar, até a melhora dos sintomas. Isso pode estar ocorrendo de acordo com alguma substancia contida na cebola; Flavonóides, quercetina, atvidade antioxidante, atividade anti-inflamatória, atividade antiviral, diminuição do açucar no sangue.

Porém ainda não se sabe ao certo, qual destes agentes está influenciando neste processo, entretanto os resultados são indiscutíveis e surpreendentes, visto que a cebola é apenas um simples alimento do dia a dia. Contudo Lúpus é uma doença muito séria e deve ser sempre acompanhada por um Médico.

Cebola e osteoporoso

O consumo freqüente de cebola pode reduzir o risco de osteoporose, doença que atinge um terço das mulheres após a menopausa. Segundo um novo estudo da Universidade de Berna, na Suíça, um grama de cebola por dia pode evitar um processo chamado reabsorção, no qual o osso perde cálcio e torna-se frágil.

Quinhentos miligramas de cebola misturadas com alho, alface, tomate, salsa e pepino teriam o mesmo efeito.

Os resultados do estudo foram publicados hoje na revista britânica “Nature”. Nos testes, os animais alimentados com cebola tiveram os ossos fortalecidos, disseram os pesquisadores. Os resultados mostram que há um grande número de vegetais comuns na dieta humana que beneficia os ossos. Os efeitos poderão ser obtidos também em seres humanos, reduzindo a incidência de osteoporose de uma forma mais fácil e barata – disse o chefe do estudo, o pesquisador Roman Muhlbauer.

O próximo passo dos pesquisadores é identificar quais os componentes da cebola – e dos outros vegetais – responsáveis pelo efeito positivo sobre os ossos e isolá-los. Quando isso for feito, a indústria farmacêutica poderá desenvolver novos medicamentos que previnam e tratem a osteoporose. Esperamos que o estudo tenha aberto um novo leque de possibilidades na prevenção da osteoporose – disse Muhlbauer.

Cebola e doenças crônico degenerativas

“Entre quem come o equivalente a uma cebola durante a semana, a probabilidade de desenvolver um câncer qualquer chega a ser 14% menor”,comenta a pesquisadora Carlotta Galeone, que,do Instituto de Pesquisa Farmacológica Mario Negri, em Milão, na Itália, avaliou fi cha médica por fi cha médica de centenas de voluntários, divididos, é claro, em duas turmas — a dos avessos à cebola e a dos que encaravam comê-la crua.

Não foi por acaso que fizeram a comparação. Eles queriam avaliar os benefícios da hortaliça para a saúde, uma vez que a cozinha de seu país usa e abusa do ingrediente.Já existiam, é bem verdade, estudos ligando seu consumo à diminuição do risco de tumores de estômago, intestino e próstata. Os cientistas de Milão, porém, expandiram essa visão. Na sua amostragem, não só esses, mas todo tipo de tumor era mais comum no primeiro grupo — o dos sem-cebola.Outra descoberta dos italianos: a proteção parece ser proporcional às porções ingeridas.

Assim, duas cebolas semanais são suficientes para derrubar em 56% o perigo do câncer de laringe, em 43% o de ovários e em 25% o de rins. E aqueles que comem com gosto muitos anéis distribuídos pela salada do almoço e do jantar, em quantidade correspondente a uma cebola inteirinha por dia, estão ainda mais resguardados.

“Aí, as chances de câncer colorretal são 56% menores e o de boca, 88%”, assegura Carlotta.

E não foi só isso o que a ciência confirmou nos últimos tempos.Sabe-se que a cebola dificulta a ação das bactérias, inclusive as causadoras da cárie e dos distúrbios gástricos, além de atuar contra fungos que provocam micoses, amenizar os sintomas da asma, combater inflamações e diminuir os riscos de trombose e aterosclerose. Um dos últimos trabalhos reafirmando essas qualidades é assinado pelo Ministério da Agricultura do governo da Austrália.

Porcos com dieta rica em gorduras tiveram seus índices de triglicérides reduzidos em 15% quando a cebola foi incluída no cardápio.O próximo passo, agora, é descobrir qual seria a melhor cebola para uma vida mais longa e saudável. Ora, são mais de 600 espécies! À primeira vista todas são parecidas do ponto de vista nutricional, reunindo numa só rodela cálcio, fósforo, magnésio, ferro, potássio, zinco, cobre, manganês, vitaminas do complexo B — principalmente B1 e B2 — e vitamina C. Na prevenção de doenças, o poder de fogo dos membros da vasta família Alliaceae pode variar — ou nem tanto.Apesar de consumirmos menos cebolas do que os italianos, nós, brasileiros, estamos acostumados ao seu paladar.

A cebolinha verde, por exemplo, muito usada como tempero, é tida como um broto de cebola, quando é mais uma variedade dela.

Cebola ou cebolinha, o bulbo pode ir para a panela ou para a saladeira, assim como as folhas de algumas variedades. Recomenda-se consumir o vegetal cru, já que o calor do cozimento ou da fritura destrói seus compostos benéficos, principalmente o principio ativo chamado de alicina.

A Embrapa está desenvolvendo uma variedade de cebola isenta de substâncias que provocam choro e mau hálito, mas é provável que a novidade não produza tantos bons efeitos. Então, encare o bafo, o ardor e as lágrimas com alegria. Tudo pode ser uma questão de treinar o paladar para sabores picantes

ROXA

Das cerca de 50 variedades disponíveis no Brasil, só cinco têm essa tonalidade. Em alguns países as cebolas roxas são as preferidas. Mas quer saber? Do ponto de vista funcional, parecem conter menos substâncias benéficas do que as amarelas.

AMARELADA

As de tonalidades claras e as mais escuras são menos ardidas e, por isso, comuns na cozinha doméstica. Já as brancas costumam ser industrializadas na forma de cebola desidratada ou em conserva.

 Shirlene Santos



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